Saber muito não chega
Saber muito não chega.
Existe a ideia generalizada de que, depois de uma carreira longa e bem-sucedida, a fase da aprendizagem fica para trás. Como se a experiência acumulada fosse suficiente para enfrentar qualquer desafio futuro. No entanto, acredito que aprender coisas novas continua a fazer todo o sentido mesmo após uma carreira sólida — não como uma obrigação, mas como uma escolha consciente para continuar relevante, curioso e intelectualmente vivo.
Em primeiro lugar, a aprendizagem contínua mantém a mente ativa e saudável. Aprender algo novo obriga-nos a sair do piloto automático, a questionar pressupostos e a desenvolver novas formas de pensar. Independentemente da idade ou do percurso profissional, o cérebro beneficia do desafio intelectual. Mais do que adquirir conhecimento técnico, aprender é uma forma de preservar a curiosidade e o prazer de compreender o mundo em constante mudança.
Em segundo lugar, o mundo não abranda só porque já fizemos uma carreira. A indústria financeira é um exemplo claro disso. Transformações tecnológicas profundas estão a redefinir modelos de negócio, processos e competências-chave. A experiência acumulada é valiosa, mas perde impacto se não for acompanhada de atualização. Aprender coisas novas permite não apenas acompanhar a mudança, mas participar ativamente nela, em vez de a observar à distância.
O meu percurso pessoal ilustra bem esta convicção. Trabalhei mais de 20 anos na banca de investimento, em várias posições, num ambiente exigente e altamente especializado. Ainda assim, decidi mudar para a área da tokenização de ativos, que considero estar no epicentro da transição digital que moldará a indústria financeira nas próximas décadas. Esta mudança implicou reaprender, questionar conhecimentos antigos e aceitar a incerteza. Para além da aprendizagem prática no terreno, tenho vindo — mesmo aos 50 anos — a realizar pós-graduações nesta área, reforçando a ideia de que a idade não é um limite para o estudo estruturado e aprofundado.
Por fim, aprender coisas novas dá novos sentidos e motivações à vida. Quando a carreira tradicional atinge um patamar de estabilidade, a aprendizagem pode tornar-se uma fonte renovada de propósito. Não se trata apenas de progresso profissional, mas de crescimento pessoal. Aprender mantém-nos abertos, humildes e preparados para futuros que ainda não conseguimos antecipar.

Luís Tavares Bravo
Economista e Administrador da YacoobaLabs
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